Como Metáforas Invisíveis Sabotam a Ciência

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Olá a quem acompanha o The Deep Dive hoje.

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É muito bom ter a companhia de todo mundo para mais uma daquelas nossas jornadas de

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descobertas.

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Com certeza.

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Olá para todo mundo que está ouvindo.

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Hoje o nosso mergulho é sobre uma coisa que, olha, acontece o tempo todo dentro das nossas

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cabeças e a gente nem percebe.

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O tempo todo mesmo.

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A gente vai falar sobre os nossos atalhos mentais, mais especificamente como as nossas

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mentes usam comparações, imagens e analogias para conseguir entender um mundo que é incrivelmente

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complexo.

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E o mais instigante disso tudo é que esses atalhos afetam absolutamente tudo, desde as

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nossas conversas mais banais no dia a dia até o que é ensinado com a máxima seriedade

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dentro das escolas.

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Exatamente.

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E para guiar essa nossa exploração a fundo, a gente trouxe hoje uma coletânea fascinante

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de textos acadêmicos de um autor chamado T.B. Mazotte.

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Um material excelente, por sinal.

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Nossa, muito bom.

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Os documentos focam num conceito que vem da psicologia e da sociologia, chamado de representações

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sociais.

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O material destrincha os problemas teóricos dessa ideia e as aplicações diretas disso

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na educação.

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Isso.

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É um tema que mexe muito com as fundações de como o ser humano aprende qualquer coisa

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nova.

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Então, a nossa missão aqui hoje é meio que desvendar os bastidores da nossa própria

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cognição.

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A gente vai entender como metáforas invisíveis moldam o que a gente acredita ser verdade,

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seja quando a gente pensa sobre preservação do meio ambiente ou até quando a gente tenta

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entender as leis da física.

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É um verreno fascinante e, confesso, um pouco inquietante, porque a gente tende a achar

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que o nosso conhecimento, principalmente aquele conhecimento formal de escola, é puramente

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objetivo.

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A gente acha que é super racional, né?

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Exato.

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Mas a realidade da nossa cognição, de como o cérebro processa o que é novo, é bem

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diferente e bem mais confusa do que a gente gosta de admitir.

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Certo.

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Vamos desempacotar isso, porque tem muita coisa aí.

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Eu estava lendo a parte sobre a teoria das representações sociais, que vem originalmente

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de um pensador, o Sérgio Moscovici, e achei o ponto de partida muito curioso.

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Sim, a premissa principal dele.

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Isso.

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A premissa de que o ser humano detesta o vácuo de conhecimento.

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Então, quando um grupo social dá de cara com um fenômeno que é totalmente novo, desconhecido,

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isso gera um desconforto enorme.

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É quase uma ameaça, sabe?

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Sim, sim.

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O cérebro entra num estado de alerta, ele precisa domesticar.

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o que é estranho. E aí, para dar sentido a essa novidade toda, o grupo meio que

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cria uma teoria coletiva, né? Exatamente. E, para fazer isso, o grupo cria o que a

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teoria chama de núcleo figurativo. De forma bem prática, isso significa que o

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coração de qualquer nova compreensão da sociedade é sempre uma metáfora. Uma

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metáfora. É. Você pega a imagem de algo que você já conhece muito bem e,

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basicamente, cola naquilo que você não entende de jeito nenhum. Mas, assim, a

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gente costuma pensar em metáfora como algo lá da aula de literatura, né? Uma

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figura de linguagem de um poema, algo só para deixar o texto mais bonito. Esse é

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o grande erro que a gente comete. As metáforas, nesse contexto cognitivo,

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elas não são só enfeites de linguagem. Elas são ferramentas estruturais de

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verdade. Como se fosse uma engrenagem mesmo. Isso. O cérebro usa a metáfora como

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um software para transferir o significado e as regras de algo que é

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familiar lá para esse objeto que é totalmente desconhecido. É um mecanismo

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de sobrevivência intelectual. Sobrevivência. Caramba. Sem essa ponte,

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sem essa metáfora, o conceito novo seria só um ruído incompreensível para a

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gente. Os textos da nossa fonte trazem um exemplo histórico que eu acho que

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ilustra isso perfeitamente, que é o caso do Charles Darwin. Ah, o clássico exemplo

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da seleção natural. Isso. Porque quando Darwin formulou a teoria da evolução,

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ele estava com um problema de comunicação gigantesco nas mãos. Como é

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que ele ia explicar que as espécies mudam e se adaptam sozinhas, sem a mão de um

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criador divino guiando tudo? É, o que é fascinante aqui é que a solução dele foi

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brilhante, mas ao mesmo tempo muito perigosa. Perigosa como? Porque ele

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recorreu a uma metáfora baseada na seleção artificial.

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Naquela época, a seleção artificial era uma coisa que qualquer pessoa entendia

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perfeitamente. Ah, claro, tipo os criadores de animais.

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Exato. Criadores de pombos, agricultores, pessoas que cruzavam cavalos ou plantas

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para obter alguma característica específica.

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O Darwin pegou esse atalho mental de algo que os humanos faziam de propósito e

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aplicou lá na vastidão da natureza. E é aí que a coisa complica, não é? Porque

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quando as pessoas ouvem a palavra seleção, elas automaticamente imaginam

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que tem alguém bom selecionando. Você tocou no ponto central da questão.

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A única diferença lógica entre a seleção artificial de um fazendeiro e a

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seleção natural do Darwin é justamente a remoção absoluta da intenção.

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A natureza...

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Não tem intenção.

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Nenhuma.

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A natureza não tem um propósito final.

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Ela não acorda de manhã e diz, ah, vou fazer o pescoço dessa girafa ficar maior

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para ela alcançar aquelas folhas altas daqui a um milhão de anos.

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Seria muito prático, mas não.

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Não é assim.

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O acaso e a sobrevivência do momento são os únicos operadores ali.

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Mas o que acontece quando a sociedade recebe essa metáfora de braços abertos?

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O nosso cérebro não aguenta a ausência desse selecionador, e aí a gente preenche

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a lacuna.

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Exato.

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As pessoas devolvem a intencionalidade para o processo.

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Elas começam a imaginar que a natureza é sábia, que a natureza tem um plano mestre,

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que existe uma força invivível orquestrando tudo para o bem.

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E quando isso acontece, a teoria científica original é completamente distorcida.

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Ela sofre o que a gente chama de finalismo, que é a crença de que tudo caminha para

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um fim pré-determinado.

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No fim das contas, a evolução vira um criacionismo disfarçado com vocabulário meio científico.

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E isso me leva a uma parte da pesquisa que, olha, realmente me surpreendeu.

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Tem um argumento do biólogo e psicólogo Jean Piaget que a nossa fonte destaca bastante.

6:30

O Piaget é fundamental nisso.

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Pois é.

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A gente tem muito essa imagem de que o cientista lá de Jaleco, no laboratório, tem um cérebro

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super superior, super lógico, e que as pessoas comuns operam em uma outra frequência bem

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inferior.

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Mas o texto diz que não existe um cérebro para o senso comum e um outro cérebro para

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a ciência, certo?

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Precisamente.

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E isso é libertador e meio assustador ao mesmo tempo.

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Os cientistas e as pessoas comuns usam no dia a dia rigorosamente o mesmo maquinário

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cognitivo.

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O mesmo hardware, digamos assim.

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O mesmo hardware.

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Nós usamos a mesma lógica básica de dedução.

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Sabe aquela coisa de, ah, se A é igual a B e B é igual a C, então A é igual a C?

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Sim, o silogismo.

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Isso.

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E todos nós, desde um ganhador do prêmio a Nobel até uma criança brincando no pátio,

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usamos as mesmas formas de indução e, adivinha, os mesmos atalhos metafóricos.

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Peraí, mas se o hardware é o mesmo, por que a ciência consegue resultados tão diferentes

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do nosso achismo de todo dia?

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Porque a ciência é, na verdade, o senso comum altamente policiado.

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Policiado.

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Gostei dessa palavra.

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A diferença não está no cérebro individual de quem faz a pesquisa, mas no rigor metodológico

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que é coletivo.

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A comunidade científica cria regras estritas.

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duplos, revisões por pares, tudo isso justamente para evitar essas falácias.

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Para segurar a onda do cérebro.

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Exato.

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Eles criam barreiras para impedir que a nossa cognição natural,

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que é super viciada nessas metáforas confortáveis,

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acabe sabotando a observação da realidade pura.

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Entendi.

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Então, se os nossos cérebros distorcem tão naturalmente essas metáforas científicas,

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colocando intenções ocultas onde não tem,

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como é que isso se manifesta no mundo real?

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Eu digo, como é que isso afeta o que a gente ensina e o que a gente aprende todos os dias?

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É aí que a teoria encontra prática.

8:30

Porque os documentos mergulham em um estudo de caso empírico

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que foi feito na cidade do Rio de Janeiro,

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que ilustra isso de uma forma muito impressionante.

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Aqui é que a coisa fica realmente interessante.

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No estudo revelador mesmo, focado em educação ambiental,

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os pesquisadores foram a campo investigar o que exatamente as pessoas entendem

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quando elas ouvem a expressão problema ambiental.

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Eles entrevistaram um grupo super diverso, né?

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Foram professores do ensino fundamental e médio,

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estudantes e até lideranças comunitárias de bairros periféricos.

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E eles também analisaram apostilas, cartilhas e documentos oficiais de ONGs.

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Sim. E a metáfora que eles encontraram,

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que meio que domina o imaginário de quase todo mundo,

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é basicamente uma metáfora médica.

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Médica. Exatamente essa imagem.

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A natureza é representada como um organismo saudável, sabe?

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Algo puro, intocável, que vive em uma harmonia perfeita.

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Uma coisa meio romântica, né?

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E em contrapartida, a ação humana passa a ser vista

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não como parte desse sistema, mas como uma anomalia total.

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O estilo de vida moderno, as indústrias, o próprio sistema capitalista,

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eles são frequentemente descritos ali nas entrevistas

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e nesses documentos como um vírus.

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Um vírus. A ação humana vira o predador, a doença,

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que invade esse organismo natural perfeitamente saudável

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e causa um desequilíbrio puramente destrutivo.

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E olha, só para deixar super claro para quem está acompanhando a gente,

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porque a gente sabe que qualquer discussão sobre meio ambiente,

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sobre indústria, toca em debates bem acalorados hoje em dia.

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É bom reforçar isso.

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Sim. Os pesquisadores aqui, e nós também,

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a gente não está tomando nenhuma posição política sobre o capitalismo

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ou sobre o movimento ambientalista, tá?

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O estudo está apenas segurando um espelho na frente dessas entrevistas

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e dos documentos analisados como o Manual Latino-Americano de Educação Ambiental.

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Exatamente. O nosso foco aqui, e o da fonte,

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é observar como esses grupos formam as suas crenças mais profundas

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e que metáforas eles usam para isso, totalmente independente de política.

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Uma ponderação essencial para a gente não perder o foco da ciência cognitiva.

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Perfeito. Feito esse aviso, vamos lá.

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Então, se conectarmos isso ao quadro geral,

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analisando essa visão da humanidade como um vírus

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e da natureza como um corpo puro em harmonia,

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a gente esbarra no que os acadêmicos chamam de um grande problema epistêmico.

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Ou seja, um problema na própria base do que a gente considera que é o conhecimento verdadeiro, certo?

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Isso.

11:09

Mas me deixa fazer o papel de advogada do diabo aqui rapidinho.

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Essa metáfora não é um pouco justa?

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Digo, se a gente pensar na poluição industrial de um rio,

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aquilo age como uma doença no ecossistema.

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Por que o autor e a pesquisa consideram isso um problema científico tão grave assim?

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É uma ótima pergunta.

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O problema é que essa visão romantiza a natureza de uma forma que a biologia real,

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a ciência, simplesmente não sustenta.

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Como assim?

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Na ecologia científica, o conceito de equilíbrio ecossistêmico

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não descreve uma paz inabalável, sabe?

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Não é um paraíso estático, bondoso,

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onde os bichinhos vivem felizes até o ser humano malvado chegar.

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Ah, tipo um filme da Disney.

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Exato, não é um filme da Disney.

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Pelo contrário, o equilíbrio ecológico é altamente instável.

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Ele é dinâmico, caótico e, muitas e muitas vezes,

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é o resultado de forças brutais que não têm absolutamente nada a ver com a humanidade.

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Ah, tipo mudanças climáticas naturais e desastres, né?

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Com certeza.

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Pense numa era glacial, por exemplo.

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Ou no impacto de um meteoro.

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Uma erupção vulcânica massiva que altera toda a atmosfera do planeta.

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Ou indo para algo menor,

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a superpopulação repentina de uma espécie de gafanhoto

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que devasta uma floresta inteira.

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Caramba, é verdade.

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A natureza não é tão pacífica assim.

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O ecossistema é uma arena de competição e de contingências violentas.

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Mas a representação social, usando aquela metáfora médica,

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distorce a ciência.

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Ela pega um conceito complexo de dinâmica de populações

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e transforma numa historinha muito simplista de mocinhos e vilões.

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E o impacto real de transformar a ciência numa fábula moral assim

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é muito palpável quando a gente lê as entrevistas.

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Tem um detalhe lá na pesquisa que, nossa, me marcou demais.

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Aquele do menino?

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Esse mesmo.

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Eles conversaram com um menino de nove anos

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e ele disse com toda a convicção do mundo que os homens...

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a natureza só pra fazer um lápis ou uma borracha.

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É muito revelador.

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Demais.

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Na cabecinha dele, a indústria não tem nenhuma função social de prover bens, de gerar empregos.

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É apenas uma força de destruição maléfica e totalmente gratuita.

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E o mais interessante é que essa mesma simplificação gera reações muito complexas em outras parcelas

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da sociedade, porque a pesquisa também ouviu aquelas lideranças comunitárias em áreas

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carentes, nas favelas.

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E o contraste é gigante.

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Sim, a visão que eles têm desse discurso ambientalista, muito focado só na pureza

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da natureza, é de um puro distanciamento.

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Uma das lideranças questiona, e com muita razão, como é que os verdes, os ambientalistas,

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podem focar tanta energia e tanto dinheiro em salvar o mico leão dourado ou em proteger

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uma área de mata, enquanto ali do lado deles tem crianças vivendo em palafitas em cima

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do esgoto, sem saneamento básico nenhum.

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É uma crítica muito pesada à aplicação dessa metáfora.

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Sim, para essas lideranças, a metáfora da natureza é intocável, simplesmente ignora

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o ser humano pobre, né?

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O que demonstra muito bem que a educação ambiental, quando ela se apoia cegamente nessa

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ideia de corpo doente que precisa voltar à pureza original, ela acaba falhando no seu

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propósito, tanto no científico quanto no social.

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Acaba virando um tiro pela culatra.

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Em vez de ensinar a verdadeira dinâmica da biologia e como a gente pode gerir recursos

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de um jeito sustentável para todo mundo, o que acaba a ser ensinado é que qualquer

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intervenção humana é um pecado original.

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Isso afasta completamente o aluno de como a natureza opera de verdade.

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Certo.

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Então, se a biologia e a ecologia acabam virando essas fábulas morais dentro da sala

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de aula, o que acontece com algo que parece ser puramente frio, matemático e objetivo,

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como a física?

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Ah, aí a gente entra num território ainda mais surpreendente.

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Pois é.

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O autor muda de cenário e traz uma segunda grande pesquisa, dessa vez focada nos professores

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de física do ensino médio, também lá na cidade do Rio de Janeiro.

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E olha, eu fui dar uma olhada nos números dessa pesquisa e confesso que eu caí pra trás.

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Os dados são, de fato, um choque de realidade gigantesco sobre a nossa formação científica.

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A gente imagina que os professores de física, por causa de toda aquela formação em exatas,

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teriam uma visão bem clara de que a ciência cria modelos da realidade, certo?

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É o que se espera, a compreensão do modelo.

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O que a pesquisa chama...

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de realismo crítico, a ideia de que a ciência constrói mapas para ajudar a gente a entender o

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mundo, mas que o mapa não é o território e que não existe uma teoria mágica que explique

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absolutamente tudo o tempo todo.

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Mas os dados mostram o exato oposto.

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Sim, apenas uma minoria, tipo de 6 a 7% desses professores, tem essa visão do realismo crítico.

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É um número assustadoramente baixo, 6 a 7%, o que significa que a imensa, esmagadora

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maioria atua sobre uma premissa que é completamente diferente.

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Quase 90% operam no que os pesquisadores chamam de realismo ingênuo.

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Realismo ingênuo?

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Eles veem a fisca não como um modelo imperfeito que está sempre em evolução, mas como a

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explicação absoluta, unificada e irrefutável para todas as coisas da vida, e um reflexo

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meio bizarro disso que o texto aponta é como eles enxergam o livro didático.

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Essa parte do livro é incrível.

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O livro vira quase um texto sagrado para eles.

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A ordem dos capítulos, por exemplo, ensinar primeiro a cinemática para depois ir para

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a dinâmica e a estática, é vista por eles como a ordem inalterável da própria natureza.

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É como se o sumário do livro não fosse uma escolha pedagógica que alguém fez numa

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editora, mas sim uma lei ditada pelo universo.

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A natureza decretou que o capítulo 2 vem depois do 1.

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É exatamente.

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E é aí que os professores tentam resolver um problema prático de sala de aula e sem

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querer acabam criando uma armadilha intelectual gigantesca.

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Qual armadilha?

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Para tentar deixar as aulas mais atraentes, mais fáceis e menos teóricas, eles recorrem

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à física do cotidiano.

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Eles tentam explicar tudo através de exemplos triviais do dia-a-dia dos alunos.

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Mas espera aí.

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Isso não é uma coisa boa?

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Aproximar a teoria abstrata de uma realidade palpável?

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Eu achava que isso era o certo a se fazer.

17:46

E na superfície parece que é.

17:48

O problema, segundo os textos do Masotti, é que ao fazer isso sem o devido cuidado

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com a abstração, eles acabam regredindo o ensino todo para a física de Aristóteles.

17:58

Aristóteles?

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Lá da Grécia Antiga?

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Como é possível ensinar Aristóteles por acidente em pleno século XXI?

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Pois é.

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Para entender isso, a gente precisa dar um pequeno passo para trás.

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A física moderna, aquela que começou a ganhar forma lá com o Galileu e que culminou no

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Isaac Newton, ela exigiu uma ruptura violenta com o nosso senso comum.

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Romper com o que a gente vê?

18:21

Sim.

18:22

Ela exigiu o que a gente chama de geometrização de um espaço puramente abstrato.

18:28

Ok, vamos precisar de uma analogia bem clara para isso, porque o que é esse espaço abstrato na prática?

18:34

Vamos lá, pense no princípio da inércia.

18:36

Tá.

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A lei da inércia diz que um objeto em movimento tende a continuar em movimento retilíneo e uniforme para sempre,

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a menos que uma força atue sobre ele.

18:44

Certo, lembro disso das aulas de escola.

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A questão é, ninguém em toda a história da humanidade jamais viu a inércia acontecer de forma pura com os próprios olhos.

18:54

Como assim nunca viu?

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No nosso mundo real, se você empurra uma caneca de café pela mesa, ela não continua se movendo para sempre,

19:01

ela escorrega e logo para.

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Ah, claro, porque existe o atrito da mesa, tem a resistência do ar,

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a gente nunca vê esse espaço perfeito acontecendo na nossa frente.

19:12

Exatamente.

19:14

Para Galileu e para o Newton conseguirem formular as leis da física moderna,

19:19

eles tiveram que imaginar um espaço vazio, um espaço idealizado, sem atrito e sem ar,

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que não existe na nossa experiência diária.

19:28

Eles tiveram que, literalmente, ignorar os próprios olhos.

19:32

A ciência moderna exige abstração.

19:35

E onde que o Aristóteles entra nessa história toda?

19:38

A física do Aristóteles era genial para a época justamente porque era totalmente baseada no que os sentidos captam de imediato.

19:46

O que a gente vê e toca.

19:47

Isso. Corpos mais pesados parecem cair mais rápido do que os leves.

19:52

Sim, parece.

19:53

Se você soltar uma pedra em uma pena, a pedra cai primeiro.

19:58

Coisas param de se mover se você não continuar empurrando.

20:01

Sim, param.

20:02

Faz todo sentido se você só olhar ao redor.

20:05

Faz.

20:06

Então, quando um professor de física moderno tenta explicar o mundo apenas pelo que é palpável e imediato na sala de aula,

20:13

usando só a intuição diária do aluno e sem elevar esse aluno para o modelo abstrato,

20:17

ele está instancialmente reforçando o raciocínio do Aristóteles.

20:21

Nossa, isso é muito doido.

20:23

Então, quando um aluno era uma questão na prova dizendo que a bola mais pesada cai mais rápido,

20:29

não é só porque ele teve preguiça de estudar ou não prestou atenção.

20:32

Não, de forma alguma.

20:34

Ele está lutando contra a própria vivência diária desde o dia em que ele nasceu.

20:38

Ele está lutando contra o mundo que ele enxerga.

20:40

Exato.

20:41

Essas concepções não são apenas erros ou uma ignorância pura e simples.

20:45

Elas são construções sociais fortíssimas.

20:48

Elas são ancoradas em metáforas e na vivência empírica de anos.

20:51

E os professores, muitas vezes cegos pelo próprio realismo ingênuo deles,

20:56

acabam não conseguindo desconstruir isso.

20:59

Sim.

20:59

Sem compreender a origem histórica dessas ideias,

21:03

eles acabam falando uma língua abstrata que o aluno não entende.

21:06

não entende de jeito nenhum, ou pior, acabam validando o senso comum como se fosse ciência

21:12

de verdade.

21:13

Gente, isso muda completamente a forma como a gente enxerga o que acontece na escola.

21:19

E então, o que tudo isso significa?

21:22

Para quem está nos ouvindo agora, isso vai muito além da sala de aula, não é?

21:26

Ah, com certeza.

21:27

Muito além.

21:28

Porque se a gente parar para pensar, todos nós estamos imersos nessa dinâmica o tempo

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todo, quer a gente esteja numa reunião de negócios, tentando entender uma nova tendência

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de mercado, ou lendo as notícias sobre uma crise internacional, ou até tentando aprender

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uma habilidade nova em casa.

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Nós estamos sempre à mercê das metáforas.

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Sim, as que entregam para a gente e aquelas que nós mesmos criamos para sobreviver esse

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caos de informação.

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E se a gente não tiver o hábito de parar, de realmente frear e questionar as analogias

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que a gente está usando, o risco é imenso.

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Um risco de compreensão da realidade.

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É o risco de simplificar o mundo de um jeito perigoso, de criar vilões onde existem apenas

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sistemas super complexos, e de achar que a gente está sendo super racional e lógico

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quando, na verdade, a gente só está pegando o atalho mais confortável para o nosso cérebro.

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E isso levanta uma questão importante, uma provocação final em cima de tudo o que a

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gente conversou hoje.

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Diga.

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Se tudo o que a gente discutiu hoje for realmente a regra geral, ou seja, se todo o nosso processo

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cognitivo para aprender algo inteiramente novo depende de uma forma biológica e social,

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de metáforas.

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Certo.

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Se a gente depende de ancorar o desconhecido naquilo que a gente já viveu no passado,

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isso coloca a gente diante de um belo paradoxo.

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Qual?

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Será que a humanidade é realmente capaz de imaginar um futuro que seja verdadeiramente

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inovador?

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Algo que rompa totalmente com os paradigmas de hoje?

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Ou será que, por causa da própria arquitetura da nossa mente, a gente está eternamente

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condenado a reciclar as velhas histórias e as limitações do passado só vestindo

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elas com palavras novas?

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Nossa!

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Essa é uma reflexão poderosa e que certamente não tem uma resposta nada fácil.

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Fico o convite para que cada pessoa que acompanhe a nossa análise preste muita atenção nas

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metáforas invisíveis que estão guiando as suas próprias decisões e certezas a partir

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de hoje.

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Fico o desafio de olhar além da metáfora.

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Agradecemos muito pela escuta atenta de sempre.

23:34

A nossa exploração a fundo continua com a missão de desvendar esses grandes mistérios

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por trás do conhecimento no nosso próximo encontro.

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Até lá!

Atalhos de Teclado

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